domingo, 23 de janeiro de 2011

Quando os espíritos foram criados?


Segundo os espíritos Superiores, Deus criou o homem simples e ignorante, estando destinado a conquistar a perfeição através do aprendizado na multiplicidade das existências. Todavia, não se sabe quando os espíritos foram criados, isso se perde no tempo. O fato é que durante sucessivas encarnações vamos guardando todas as informações no inconsciente, que é o arquivo da alma, daí é que surgem as idéias inatas, onde uma criança de 6 anos de idade, por exemplo, realiza concerto de piano clássico sem ter aprendido na vida presente. A idéia das vidas preexistentes não é nova, encontramo-la nas escrituras “Antes que te formasse no ventre te conheci”(Jr 1,5). Era porque o espírito já existia antes mesmo de ser formado o corpo. Ademais, se admitíssemos que a alma fosse criada no momento da concepção, Deus estaria submisso a vontade dos casais em querer gerar filhos, o que seria inadmissível. Esta passagem no livro de Jeremias é interessante. Para que o ser humano comece a ser formado é necessário que a célula reprodutora masculina fecunde o óvulo, então, o ser começa a se desenvolver lentamente. Aqui dispensamos maiores esclarecimentos, pois, se Deus já conhecia Jeremias antes mesmo da concepção é porque ele já existia como espírito eterno, derrubando assim o dogma da criação da alma durante a fecundação ou na hora do nascimento. Como Deus poderia conhecê-lo sem que ele “o espírito”, tivesse sido criado? Esta passagem nos mostra a pré-existência da alma. Aceitar que a alma é criada no momento da concepção é afirmar que Deus estará condenando-a sem mesmo ter começado a viver, se tomarmos como base a máxima que “serás castigados até a quarta geração”. Como pode, por exemplo, uma criança que nem foi gerada já está sendo condenada pelas atitudes erradas de seu bisavô que sequer conheceu? Se a justiça dos homens não permite que a pena passe da pessoa do condenado, que dirá a justiça de Deus.

A lógica e a justiça da reencarnação.

Não se pode aceitar a bondade de Deus sem a reencarnação. Partindo do princípio instituído por algumas religiões que a alma é criada no momento da concepção, perguntamos; por que Deus cria uma alma para “habitar” um corpo mutilado e outra em corpo perfeito? Onde esta a bondade e a justiça divina? Poder-se-ia argumentar que os pais da criança usavam drogas. Correto. Mas por que Deus colocaria uma alma que acabou de ser criada habitando um corpo deformado sem ela ter feito nada? Como pode uma pessoa nascer com um QI elevado e outra sofrer de idiotismo? Se nos queremos o melhor para nossos filhos Deus não faria diferente. Se as almas fossem criadas no momento da concepção, Deus estaria submisso aos casais a querer ter filhos para depois criar almas. E as que são criadas hoje deveriam ser tão novas e primitivas como as que foram criadas há 5000 anos. E como explicar a lei do progresso já que todas partiriam do zero e chegariam no mesmo estagio? Sem a reencarnação o progresso não existiria. Na exata medida em que reencarnamos vamos acumulando experiências no subconsciente, com o passar do tempo, nascemos com idéias mais ou menos maduras e nossas inclinações começam a aparecer ao longo da vida. Isso são ideias inatas. Por que uns nascem com o dom da musica e da pintura e outros, ainda que estude, não conseguem aprender? Como explicar a falta de proporcionalidade da Justiça Divina, ao aplicar a mesma pena (eterna) a todos os que fossem condenados no "juízo final", independente da gravidade dos seus crimes? Se Jesus nos ensinou a perdoar infinitamente como é que o próprio Deus não teria esta virtude? Se o pecado é temporário a pena não pode ser eterna. A reencarnação não é punição, mas corrigenda. Seria justo uma pessoa que cometeu crimes durante toda sua vida ser totalmente perdoada porque se arrependeu nos últimos minutos de sua vida? Onde esta a justiça para com a vitima? Se fosse dessa maneira não compensaria ser Bom, pois é só se arrepender no final da vida, ficando tudo certo. Percebe-se que a lei dos renascimentos é uma questão de lógica e de justiça e não se tem como negar sua existência, pois, Deus sendo justo, não age com injustiça para com seus filhos.

Cataclismos Naturais

Muitos questionam quanto à justiça divina sobre cataclismos naturais em que milhares de seres humanos morrem de forma trágica. Pessoas boas e más, ricos e pobres, todos, sem distinção. A vida física é um breve piscar de olhos é um relâmpago na eternidade. Os sofrimentos que duram alguns meses ou dias, são ensinamentos que nos servirá no futuro. O esquecimento de nossa verdadeira identidade espiritual aliada ao orgulho e o egoísmo é a causa do sofrimento na Terra. Somos seres espirituais em evolução no mundo material e não lembramos sobre as leis imutáveis do Criador. Esquecemos também da lei de destruição, que é soberana na dimensão física. Os espíritos ensinam que nossa realidade é espiritual, por isso, eles se esforçam nas comunicações, para que não nos desesperemos em momentos naturais extremos e inevitáveis. No O Livro dos Espíritos no capítulo sobre a Lei de Destruição diz; "quer a morte se verifique por um flagelo ou por uma causa ordinária, não se pode escapar a ela quando soa a hora da partida: a única diferença é que parte um grande número de almas ao mesmo tempo". E observa, inteligentemente: "se pudéssemos elevar-nos pelo pensamento de maneira a abranger toda a humanidade numa visão única, esses flagelos tão terríveis não nos pareceriam mais do que tempestades passageiras no destino do mundo". A lei divina é soberana e essas vítimas terão noutra existência uma larga compensação para os seus sofrimentos, se souberem suportá-las com resignação. Nessas tragédias, cada individuo recebe, em menor ou maior proporção, a parte que lhe cabe, pois nada acontece por acaso. Muitos flagelos são as conseqüências da própria imprevidência do homem, sendo provas que proporcionam ao homem a ocasião de exercitar a inteligência, ao mesmo tempo em que lhe permitem desenvolver os sentimentos de fraternidade. Os avanços tecnológicos e da inteligência servem para criar formas de prevenção para o nosso bem-estar material. Quando soubermos aproveitar todos os recursos de nossa inteligência viveremos num mundo melhor. A destruição é necessária para a regeneração moral do homem e esses flagelos faz o homem avançar mais depressa. As pessoas não respeitam as leis da natureza e a lei de causa e efeito responde à ação arbitrária, logo, esses transtornos são freqüentemente necessários para fazer com que as coisas cheguem a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos.

Em busca de conhecimento

Nota-se, observando o comportamento das pessoas, que a grande maioria delas faz parte do senso comum. São aquelas que se engradram dentro de um conceito “padrão” de uma sociedade que pensa mais ou menos da mesma forma, sem ter muito interesse além da rotina que os cerca vivendo sem ser um buscador. Mas o que é “ser um buscador”? Ser um buscador é ser investigativo, é procurar conhecer de tudo, sem limites ou regras preestabelecidas. Notamos que algumas pessoas no dia a dia, saem para trabalhar, voltam, assistem novela e depois dormem. Outras gostam de futebol, filmes de guerra, de crimes, e adoram cachaça. Permanecem nessa rotina durante anos a fio. Perguntamos: qual aprendizado que se obtêm agindo assim? Para a esmagadora maioria da população, isso é o que diverte, é o que satisfaz, pois não tendo interesse pelo aprendizado passam 40, 50 anos ou toda uma vida sem se preocupar em buscar conhecimento. Monteiro Lobato asseverou: "um país se faz com homens e livros".

O buscador é todo aquele que não se satisfaz como que sabe, pois sabe, que nada sabe. Sempre desejando aprender mais, tenta sair das trevas da ignorância para a luz do conhecimento. Obtendo o conhecimento satisfatório o homem passa a ter certezas. É preciso despertar no homem o senso investigativo que existe dentro de cada um de nós. Emmanuel afirmou: a maior responsabilidade do homem para com si mesmo é com sua própria iluminação. Seja um buscador, um investigador, busque informação e o conhecimento, leia de tudo, questione tudo, duvide de tudo, mas vá em busca de respostas lógicas e coerentes. Não se deixe levar pelo que os outros dizem, porque se eles estiverem errados você tomará o erro deles por verdade. Leia obras que nunca teve oportunidade de apreciar, especialmente a que lhe são contrárias ao que pensa sobre alguma coisa, tenha conhecimento de vários assuntos, nunca fique preso a uma só literatura, cultive o hábito pela leitura. Quem ouve um só sino nem mesmo poderá dizer que ele está desafinado.

Questione tudo, se te incomodou. Para viver em equilíbrio, o homem precisa de respostas. Compare suas ideais com a dos outros. Compare sua religião com algumas outras. Quem ama a verdade não teme questionar a própria crença. Se te disserem que estais questionando à Deus, diga que sim: Ele lhe dotou da inteligência exatamente para usá-la. Quem valoriza os seus limites, por certo não se livrará deles. Não vá atrás de pessoas que te limitam a pensar, porque no fundo elas desejam que fiques na ignorância na qual elas se encontram. Freud disse; quanto mais os frutos do conhecimento se tornam acessíveis ao homem mais acelerado é o declínio da crença religiosa. A crença só é boa quando raciocinada, quando não, é fanatismo.

O grande poeta francês Vitor Hugo pronunciou: “quem conduz e arrasta o mundo não são as máquinas, mas as ideias”. Desenvolva ideias para seu aprimoramento e dos outros. Estude ciências, física, química, arte, psicologia, filosofia, religiões, abra sua mente para o mundo novo do saber, a mente dilatada pelo aprendizado nunca mais votará ao estagio original.