Pode até parecer irreverência, mas certas religiões são verdadeiras fábricas de ateus, como disse o escritor José Reis Chaves, por causa de muitas ideias antigas pregadas até hoje.
Imagine um homem extremamente bom que passou 70 anos de sua vida fazendo o bem ao próximo, abnegado trabalhador da seara do Cristo, uma referência de bondade humana. Ele morre e vai para o céu por causa de tanta bondade. Mas há um segundo indivíduo que matou, roubou, estuprou, durante o mesmo período de vida que o homem bom.
Segundo a teologia cristã, se esse último se arrepender de seus pecados, também irá para o céu viver como aquele que somente fez o bem. Perguntamos: onde está a justiça divina? Que vantagem teve o homem de bem que passou a vida toda ajudando ao próximo se vai viver ao lado de um malfeitor só porque esse se arrependeu? Dessa forma, não vale a pena ser bom, o indivíduo até pode se arrepender, mas e as maldades, prejuízos e tragédias que ele causou?
Esse tipo de pedagogia é que faz aumentar o número de ateus, pois o homem de senso crítico, que possui noção de justiça, não vai aceitar uma coisa dessas. Opta, então, pelo ateísmo, pois sua concepção de justiça é mais coerente do que a de Deus.
Isso é fruto de uma interpretação falha dos teólogos. Deus não tem nada com isso. Se a religião não serve para fazer do ser humano uma pessoa melhor, é preferível que ela não exista.
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