sábado, 28 de março de 2009

Paramahansa Yogananda

Há séculos na vetusta Índia, religiões e filosofias interessantes e até esdrúxulas para a nossa cultura são praticadas, mas um personagem se destacou no contexto religioso como um dos Gurus mais conhecidos. Paramahansa Yogananda, esta figura tão lembrada na Índia, mas não muito conhecida no ocidente, vamos saber um pouco deste Guru Indiano e o que se passou com seu corpo após sua morte.




Paramahansa Yogananda foi o primeiro grande mestre da Índia a viver no Ocidente por um longo período (mais de trinta anos). Ele foi o último de uma sucessão de três grandes mestres indianos (Mahavatar Babaji, Lahiri Mahasaya e Swami Sri Yukteswar), tendo a missão de trazer para o ocidente a redentora mensagem e técnica de kriya yoga através da Self-Realization Fellowship.

Excepcional autodidata, explica com clareza em seu livro, "Autobiografia de Um Iogue", as leis sutis, mas definidas, pelas quais os verdadeiros iogues realizam milagres e atingem o autodomínio.



VIDA E OBRA




Paramahansa Yogananda nasceu em 5 de janeiro de 1893, com o nome de Mukunda Lal Gosh, no norte da Índia, na cidade de Gorakhpur, nos contrafortes das montanhas do Himalaia. Desde os primeiros anos, ficou evidente que sua vida estava marcada por uma destinação divina. Segundo os que lhe eram mais íntimos, mesmo em criança, a profundeza da sua percepção e experiência do mundo espiritual estava muito além do comum. Na juventude, ele procurou muitos sábios e santos da Índia, esperando encontrar um mestre iluminado que o guiasse em sua busca espiritual. Paramahansa Yogananda dedicou sua vida a ajudar pessoas de todas as raças e credos a realizarem e expressarem com maior plenitude a beleza, nobreza e verdadeira divindade do espírito humano. Depois de sua formatura pela Universidade de Calcutá em 1915, Sri Yogananda fez os votos formais como monge da venerada Ordem Monástica dos Swamis, da Índia. Dois anos depois, ele iniciou importantíssima obra, fundando uma escola "como viver", que desde então cresceu, transformando-se numa instituição composta de vinte e um estabelecimentos educacionais espalhados pela Índia, onde as tradicionais matérias acadêmicas são oferecidas juntamente com o treinamento em yoga e instruções sobre ideais espirituais.

Em 1920, ele foi convidado a representar a Índia no Congresso Internacional dos Liberais Religiosos, realizado em Boston. Sua conferência nesse Congresso e subseqüentes palestras na Costa Leste dos Estados Unidos foram entusiasticamente acolhidas, e em 1924 ele partiu para uma turnê de conferências através do continente.

Durante as três décadas seguintes, Paramahansa Yogananda contribuiu de maneira profunda no sentido de criar no Ocidente uma percepção e apreciação mais agudas da sabedoria espiritual do Oriente. Em Los Angeles ele estabeleceu a Sede Internacional da Self-Realization Fellowship, uma instituição não sectária fundada por ele em 1920.

Através de suas obras escritas, das palestras e seminários realizados em suas longas viagens, e da criação de centros de meditação e templos da Self-Realization Fellowship, ele apresentou a milhares de buscadores da verdade a antiga ciência e filosofia da yoga, com os seus métodos de meditação universalmente aplicáveis.

Num artigo sobre a vida e obra de Sri Yogananda, o Dr. Quincy Howe Jr, professor de Línguas Antigas no Scripps College escreveu: "Paramahansa Yogananda trouxe ao Ocidente não apenas a perene promessa da realização de Deus, mas também um método prático por meio do qual os buscadores espirituais de todos os níveis sociais podem progredir rapidamente em direção àquela meta. Originalmente apreciada no Ocidente apenas em níveis elevados e abstratos, a herança espiritual da Índia é agora acessível como prática e experiência a todos que aspiram conhecer a Deus, não no além, mas aqui e agora... Yogananda colocou os métodos supremos de contemplação ao alcance de todas as pessoas."


UM GURU NA VIDA E NA MORTE



Paramahansa Yogananda entrou em mahásamádhi (a derradeira vez que um iogue abandona conscientemente seu corpo) em Los Angeles, na Califórnia, em 7 de março de 1952, após concluir seu discurso num banquete em homenagem a Sua Excelência Binay R. Sen, embaixador da índia. O grande instrutor mundial demonstrou o valor da ioga (técnicas científicas para chegar à percepção de Deus como realidade) não apenas em vida, mas também na morte. Semanas após haver partido, sua face inalterada brilhava com o divino esplendor da incorruptibilidade. O sr. Harry T. Rewe, diretor do Cemitério de Forest Lawn, de Los Angeles (onde o corpo do grande mestre jaz temporariamente) enviou a SeIf‑Realization Fellowship uma carta com firma reconhecida, abaixo transcrita na íntegra:

"A ausência de quaisquer sinais visíveis de decomposição no cadáver de Paramhansa Yogananda constitui o mais extra-ordinário caso de nossa experiência. Se as proteínas musculares e o fluxo sangüíneo não estivessem comparativamente livre de bactérias, a deterioração do corpo deveria ter-se iniciado a partir de seis horas após o óbito.

Nenhuma desintegração física era visível no corpo, mesmo vinte dias após a morte.

O corpo estava sendo observado diariamente no Necrotério do Forest Lawn Memorial-Park, desde 11 de março de 1952, o dia dos últimos ritos públicos, até 27 de março de 1952, quando o urna de bronze foi lacrada com fogo.

Durante este tempo, nenhum indício de bolor revelava-se em sua pele e nenhum dessecamento (secagem) ocorreu nos tecidos orgânicos. Tal estado de preservação perfeita de um corpo, até onde vão nossos conhecimentos dos anais mortuários, é algo sem paralelo.

Funcionários do Forest Lawn viram o cadáver de Paramahansa Yogananda uma hora após sua morte no dia 7 de março de 1952. Ele foi então levado a Mount Washington, em Los Angeles, onde muitos amigos se reuniram para contemplar seu corpo.

Para a proteção da saúde pública, é aconselhável embalsamar um cadáver que será exposto durante vários dias à visitação. O embalsamamento do corpo de Paramahansa Yogananda foi feito vinte e quatro horas após seu falecimento. Na temperatura normal, a ação das enzimas dos intestinos causa a distensão dos tecidos na região abdominal, aproximadamente seis horas após a morte. Tal distensão não aconteceu em qualquer momento no caso de Paramahansa Yogananda. Quando nosso Necrotério recebeu o corpo para embalsamamento, este não apresentou nenhum sinal de deterioração física e nenhum odor de putrefação - duas ausências incomuns, quando se trata de uma morte que aconteceu vinte e quatro horas antes.


O corpo de Paramhansa Yogananda foi embalsamado na noite de 8 de março, com a quantidade de fluidos que é normalmente utilizada em qualquer corpo de tamanho semelhante. Nenhum tratamento incomum foi ministrado.

No caso de pessoas que são embalsamadas e exibidas para os amigos por um período de duas ou três semanas, é necessário, para uma boa apresentação, o embalsamador aplicar, na face e nas mãos do cadáver, uma emulsão cremosa para os poros, a qual temporariamente previne o aparecimento externo de fungos. No caso de Paramhansa Yogananda, nenhuma emulsão foi usada. Eram supérfluas, pois os tecidos de seu corpo não sofreram nenhuma transformação visível.

Após o embalsamamento, na noite de 8 de março, o corpo de Paramahansa Yogananda retornou para a sede da Self-Realization Fellowship, em Mount Washington. Ao final dos ritos públicos, na tarde de 11 de março, foi fechada a tampa de vidro da urna de bronze e essa não foi mais removida. Seu corpo nunca mais foi tocado por mãos humanas.

A urna com o corpo foi levada aproximadamente às 10 horas da noite do dia 11 de março ao nosso Necrotério para observação diária. A razão deste procedimento era a esperança dos dirigentes da Self-Realization Fellowship de que dois discípulos indianos de Paramahansa Yogananda poderiam chegar à Los Angeles algum tempo depois, quando então eles poderiam ser levados ao Necrotério para ver o corpo.

Em qualquer urna lacrada, na qual o ar não pode entrar nem sair, a umidade interna de um cadáver embalsamado forma rapidamente fungos brancos sobre a pele. Isso não ocorreria se um creme protetor fosse utilizado, o que não tinha sido feito. Uma das características da proteína muscular é quebrar os aminoácidos em ácidos de ptomaína. Quando os ácidos de ptomaína ficam ativos, deterioram rapidamente os tecidos. O corpo de Paramahansa Yogananda estava aparentemente destituído de qualquer impureza pela qual poderiam se converter proteínas musculares em ácidos de ptomaína. Seus tecidos permaneceram intactos.

Ao receber o corpo de Paramahansa Yogananda, os funcionários do cemitério esperavam observar, através da tampa de vidro do caixão, os costumeiros e progressivos sinais de decomposição física. Nossa admiração crescia à medida que os dias passavam sem trazer qualquer mudança visível no corpo em observação. O corpo de Paramahansa Yogananda permanecia evidentemente num estado fenomenal de imutabilidade.

No final da manhã de 26 de março, observamos uma leve pequena mudança: o aparecimento na ponta do nariz de uma mancha marrom, de um quarto de polegada de diâmetro. Esta pequena mancha indicava que o processo de dessecamento (secagem) poderia estar finalmente começando. Porém, nenhum fungo visível apareceu.

Durante todo este tempo, as mãos permaneceram em seu tamanho normal, não revelando nenhum sinal de enrugamento ou encolhimento nas pontas dos dedos - local onde a desidratação é rapidamente observada. Os lábios, que esboçavam um leve sorriso, continuavam firmes. Nenhum odor de decomposição emanou de seu corpo em qualquer momento. Embora a urna estivesse fechada com uma pesada tampa de vidro, ela não estava hermeticamente selada.

Qualquer odor do corpo, se existisse, teria sido percebido imediatamente pelas pessoas que estivessem por perto. A natureza volátil destes odores faz-se que seja impossível não percebê-los, salvo em raras circunstâncias, que não se fizeram aplicar neste caso.


Quando foi confirmado que os dois discípulos da Índia não viriam mais para a América antes de 1953, os dirigentes da Self-Realization Fellowship concordaram, no dia 27 de março de 1952, em que o sepultamento do ataúde de Paramahansa fosse providenciado. A tampa de vidro interna foi então lacrada com fogo na parte mais baixa da urna; a volumosa cobertura de bronze foi colocada em cima e fixada com um selador e parafusos. O processo de selagem por fogo foi realizado nos dias 27 e 28 de março. O caixão foi removido no dia 28 de março de 1952 para uma cripta no mausoléu de Forest Lawn Memorial-Park, permanecendo lá até que um lugar definitivo para o corpo fosse providenciado pela Self-Realization Fellowship.


A aparência física de Paramhansa Yogananda em 27 de março, pouco antes de colocar-se a tampa de bronze no ataúde, era a mesma de 7 de março. Ele parecia, em 27 de março, tão cheio de frescor e intocado pela corrupção, como na noite de sua morte. Em 27 de março, não havia, em absoluto, motivo para se afirmar que seu corpo sofrera qualquer desintegração física visível. Por estas razões, declaramos novamente que o caso de Paramahansa Yogananda é único.

Em 11 de maio de 1952, durante uma conversa por telefone entre um funcionário do Forest Lawn e um dirigente da Self-Realization Fellowship, foi trazida pela primeira vez toda esta história surpreendente. Previamente, o dirigente da Self-Realization Fellowship não sabia dos detalhes, pois ele não tinha estado em contato com o Diretor do Mortuário, apenas com o Departamento Administrativo de Forest Lawn. No interesse da verdade, estamos felizes em apresentar este relato escrito para publicação na [revista] Self-Realization Magazine."



Nova edição em português, revisada pela Self-Realization Fellowship e editada pela Lótus do Saber/Sextante, com 54 ilustrações, introdução sobre a obra e índice remissivo. "Jamais houve algo, escrito em inglês ou em qualquer outra língua européia, como esta apresentação da ioga" - Columbia University Press.


Forest Lawn Memorial-Park

Luciano Ribeiro

Março 2009

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